e Conheça o Grande Paititi e o mito do Eldorado ~ Diário do Moretti
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domingo, 17 de janeiro de 2016

Conheça o Grande Paititi e o mito do Eldorado




O GRANDE PAITITI E O MITO DO ELDORADO

Por Marco Moretti

"El Dorado", gravura de Theodor de Bry - Fonte: Wikipedia

P
oucas lendas da época do Descobrimento do Brasil são tão persistentes e fascinantes quanto a do Grande Paititi. Trata-se de uma mítica cidade perdida nas selvas repleta de tesouros escondidos e que foi alvo da cobiça de exploradores, bandeirantes e caçadores de tesouros de toda espécie através dos tempos. As histórias em torno dela transitam numa região brumosa entre a imaginação febril e os delírios de riqueza fácil, e a sua identidade se confunde com a de outro local folclórico, o Eldorado, cuja capital, Manoa, foi descrita por alguns como uma imensa cidade feita de ouro maciço. Da mesma forma, a localização imprecisa do Grande Paititi é tão movediça quanto a vontade daqueles que desejam encontrá-lo. De acordo com alguns relatos, ele estaria localizado em algum ponto dos Andes. Segundo outros, seu paradeiro está em algum lugar entre as florestas do Peru, da Bolívia e do Brasil. Não faltam aqueles que dão como certo que o Grande Paititi era um refúgio inca perdido na região fronteiriça entre o Brasil e a Bolívia, para os lados da Cordilheira do Amolar, a oeste do Mato Grosso.
            Realidade ou ficção, o Grande Paititi tem uma base histórica que merece ser recapitulada. Em 1572, os espanhóis conquistaram a última fortaleza do império inca que durante décadas resistiu bravamente ao seu domínio, Vilcabamba, no altiplano peruano. Ao marcharem para dentro de suas sólidas muralhas, os soldados depararam com a cidade completamente deserta, com rastros de incêndios, e sem qualquer sinal do fabuloso tesouro inca, que alguns supunham estivesse sendo guardado naquele lugar após a queda do rei Atahualpa (confira o post anterior). Os cronistas que relataram a campanha militar também afirmaram que o tesouro foi levado de Vilcabamba pelos últimos remanescentes da realeza e dos sacerdotes incas para um refúgio secreto nas selvas, a Casa Branca e a Casa do Tigre, também chamadas de “El Gran Paititi”. Foi a partir daí que a lenda do Eldorado (ou Manoa) começou a ser gestada na cabeça daqueles que não se intimidaram diante dos muitos riscos que a floresta oferece no intuito de encontrá-la.
Pergaminho.jpg           
Apesar dos esforços de tantos séculos, ninguém logrou encontrar a mínima evidência inequívoca de que o Grande Paititi era mais do que uma invenção destinada a ludibriar os cobiçosos pretendentes a Indiana Jones. Uma das poucas descobertas que podem ter alguma relação com esse assunto ocorreu em 1984, e envolveu o meu professor de História da Cultura na faculdade e renomado arqueólogo, o saudoso Aurélio de Abreu, na época vice-presidente do Instituto Paulista de Arqueologia. Segundo ele revelou na ocasião, uma cidade no interior da Bahia, cujos restos ele encontrou em meio à mata espessa, poderiam ser de procedência inca. As ruínas, localizadas na região de Ingrejil, seriam obra de “refugiados peruanos da era inca, ou pré-incaica, os quais encontraram o terreno montanhoso e o clima que lhes agradava” [1]. Ainda que a cidade encontrada pelo professor Aurélio não seja o almejado Paititi, a simples possibilidade de que tenha sido erigida pelos incas sugere que a cidade perdida em nossas selvas talvez seja mais do que mera fantasia de mentes desocupadas.  
           








[1] Childress, David Hatcher, “Cidades Perdidas e Antigos Mistérios da América do Sul”, Editora Siciliano, São Paulo, 1987, pág. 132.

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