e Confira o texto "Os Deuses brancos do continente", o maior enigma da América pré-colombiana ~ Diário do Moretti
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sábado, 5 de dezembro de 2015

Confira o texto "Os Deuses brancos do continente", o maior enigma da América pré-colombiana




OS DEUSES BRANCOS DO CONTINENTE
Por Marco Moretti
           
Representação do deus inca Viracocha sobre a Porta do Sol, na Bolívia - Fonte: Wikipedia

E
ntre os estranhos visitantes brancos d’além mar que pareciam assombrar os povos ameríndios no Novo Mundo ao tempo da chegada das primeiras caravelas por estas bandas, nos séculos XV e XVI, todos possuíam características similares: eram de tez pálida e barbudos e deixaram ensinamentos valiosos. O próprio Colombo, quando aqui chegou em 1492 deixou em suas memórias um relato interessante. Diz ele que, após uma extenuante marcha de cerca de 18 quilômetros numa região da América Central, os seus mensageiros alcançaram uma aldeia habitada por umas mil almas. Os marinheiros teriam sido recebidos de maneira festiva pelos indígenas, que parecem ter se exaltado com a presença dos estrangeiros, carregando-os em procissão e beijando efusivamente as suas mãos e pés. “[Os indígenas procuraram] lhes explicar de toda maneira que eles sabiam como os homens brancos haviam chegado da morada dos deuses. Cerca de cinquenta – entre homens e mulheres – suplicaram-lhes que os reconduzissem com eles ao céu dos deuses imortais”, informa o navegador genovês a certa altura de seus escritos.
            Como parece claro no texto, a presença dos europeus evocou nos povos americanos a lembrança remota de deuses brancos ou de um único deus branco que adquiriu diferentes feições e identidades em cada região em que o seu culto foi adotado. Como vimos no último post, para os toltecas, no México, ele ganhou o título de Quetzalcátl (“serpente emplumada” ou “serpente que anda”). Já para os maias, que habitaram entre o sul da América do Norte e a América Central, ele se tornou conhecido como Kukulkan ou Kukumatz e, entre os chibchas, o mesmo personagem era chamado de Bochica (“branco manto luminoso”).

          Também ao sul do continente o deus branco marcou presença,   sobretudo no coração do maior império sul-americano, o inca, em que Kon Tiki Illac Viracocha era adorado como uma espécie de Adão fundador da espécie humana. Segundo o significado atribuído a esse nome na língua quíchua, Kon Tiki quer dizer “filho do sol”, Illac é “raio” e Viracocha pode ser traduzido como “espuma do mar”. Assim vinculadas essas diferentes designações, temos uma referência algo vaga à origem ocidental do personagem (o sol, ou a região de onde o sol nasce, o oeste) e de como chegou ao nosso território (pelo oceano, como parece sugerir a referência à espuma do mar). Quanto ao raio, não é despropositado supor que representasse a brancura da aparência física do personagem, um fato até então desconhecido daqueles povos. A propósito, é importante lembrar aqui que Kon Tiki também é a designação de uma divindade dos povos polinésios, o que pode indicar que a origem do mito chegou por mar vindo daquelas bandas do Oceano Pacífico. Pesquisas arqueológicas e genéticas recentes parecem confirmar a hipótese de parentesco entre os habitantes originais dos atuais Peru e Bolívia e os polinésios.
            O primeiro relato conhecido no Ocidente desse deus veio da pena de um soldado e historiador espanhol, Cieza de León, que em 1553 escreveu as “Crônicas do Peru”, sobre a conquista do império inca por Pizarro e as suas tropas. De acordo com o cronista, esse homem barbudo teria aparecido sobre as margens do Lago Titicaca, o lago mais sagrado do altiplano andino, várias eras antes sequer da ascensão do império inca. Novamente, temos aqui o herói civilizador, de uma personalidade magnética e que instruiu os homens “sobre todas as coisas da agricultura e dos costumes, e ordenou que se amassem, que fugissem da violência (...) aquele homem era Tiki Viracocha”.

            Outros cronistas de tempos posteriores, como Ondegarde e Sarmiento, complementaram as informações de Cieza de León informando que esse deus branco edificou na região uma majestosa cidade jamais vista, “feita de coisas maravilhosas”. O que fossem tais coisas só nos é dado imaginar. No post da próxima semana, vamos ver o que os conquistadores espanhóis encontraram ao adentrar essa fabulosa metrópole andina.


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