e Leia o texto sobre "O Enigma dos deuses brancos" ~ Diário do Moretti
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domingo, 22 de novembro de 2015

Leia o texto sobre "O Enigma dos deuses brancos"




O ENIGMA DOS DEUSES BRANCOS
Por Marco Moretti
           
Representação do deus asteca Quetzalcóatl - Fonte: Wikipedia

Q
uando os primeiros europeus puseram os pés no continente americano, nos primórdios do século XVI, ouviram, de norte a sul, histórias estranhas de antigos visitantes oriundos de além-mar. Em comum, os relatos dos toltecas, no México, dos incas, no Peru, dos maias, na América Central, e dos indígenas que ocupavam o litoral brasileiro, concordam em um ponto: todos esses forasteiros tinham a mesma aparência, homens de barbas, cabelos e tez brancas e olhos claros, e que fizeram mais ou menos as mesmas coisas antes de saírem de cena. O que ainda hoje não ficou claro é se esses personagens se referiam a um mesmo indivíduo ou se diziam respeito a pessoas diferentes de origens diversas (na hipótese de que tenham existido de fato).
            Também os seus nomes variam de região para região. No México, onde ficou conhecido como Ce Ácatl Topiltzin Quetzalcóatl, a tradição reza que esse estranho visitante se tornou o quinto rei dos toltecas, a partir de 977. De acordo com a mitologia daquele povo, Quetzalcoatl seria filho do deus do céu Mixcoatl (“serpente das nuvens”) e de Chipalman (“escudo que jaz”), a deusa da Terra. Em algumas tradições, esse deus é representado como uma serpente emplumada (o verdadeiro significado de seu nome), representação das forças telúricas da natureza. Mas o mais interessante é o papel que esse rei exerceu entre os ameríndios. Ele teria vindo do oriente e se tornou governante da cidade de Tula, a capital do povo tolteca, onde ensinou àquela gente todo o conhecimento científico que possuíam, além de ministrar as leis e ajudar a desenvolver a agricultura com o plantio de milho e de algodões coloridos.
            O legado mais importante que esse deus deixou, contudo, foram os seus ensinamentos. Entre os quais, o mais relevante e que faz reverberar em nós um brilho de reconhecimento, é a pregação pela paz entre os homens e a insistência de que nem mesmo os animais deveriam ser mortos para consumo humano. Em suma, ele instruiu os toltecas a viverem apenas dos frutos da terra. Esse sábio rei, contudo, teve um fim ignominioso. Conta a lenda que um demônio se apossou dele e o levou a praticar todo o tipo de atos vis. Arrependido pelo que se tornou, Quetzalcoatl teria abandonado o seu povo e caminhado até a praia, onde ateou fogo ao próprio corpo. A única coisa que sobreviveu dele foi o coração, transformado na estrela d’alva (Vênus), significativamente o planeta mais claro do céu. Em outra ressonância cristã, ele se tornou o símbolo da morte e da ressurreição.
Nos séculos seguintes, o seu nome foi herdado por uma linhagem de altos sacerdotes, que passaram a usá-lo como um título honorífico em lembrança ao fabuloso deus branco. A indagação que permanece até hoje é: Quetzalcoatl teria existido de fato? Se assim foi, de onde teria vindo? Seria ele um europeu do norte, um religioso ou um náufrago? E por que, o que pretendeu fazer esse forasteiro na América pré-Colombiana ainda intocada?

            Verdadeiro ou falso, ou real com características imaginativas, esse mito indubitavelmente influiu no destino dos povos da América do Norte quando se confrontaram pela primeira vez com Colombo e seus marujos e, décadas depois, com as hordas conquistadoras espanholas. Mas isso é assunto para o próximo post.

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