e Confira agora "O herói mais rápido dos quadrinhos", os bastidores da criação do super-herói Flash ~ Diário do Moretti
Facebook

domingo, 29 de março de 2015

Confira agora "O herói mais rápido dos quadrinhos", os bastidores da criação do super-herói Flash




O HERÓI MAIS RÁPIDO DOS QUADRINHOS

Por Marco Moretti
        
Flash na arte de Alex Ross
Fonte: Wikipedia
         O Homem mais Rápido do Mundo. Foi com essas palavras que o Flash foi definido na capa da edição de estréia da revista Flash Comics, publicada em janeiro de 1940. No Brasil, o personagem foi batizado de Joel Ciclone, e é com esse nome que essa primeira versão do personagem passou a ser conhecida nas aventuras da Sociedade da Justiça da América.
         O Flash (ou Joel Ciclone, para os puristas) foi o primeiro caso de herói “especializado” a aparecer nos gibis. Até então, os personagens do gênero, como Superman, dispunham de um arsenal de habilidades as mais variadas possíveis, que incluíam superforça, visão de calor, capacidade de voar e supervelocidade. Com o Flash, estava inaugurada a era dos heróis dotados de um único talento. No caso dele, obviamente, a velocidade acima do comum.
         O mérito de sua criação coube ao lendário Gardner Fox, também responsável pela criação de outro herói icônico, o Gavião Negro. Aliás, Flash e Gavião Negro surgiram simultaneamente na mesma revista e durante anos alternaram-se nas capas de Flash Comics e na preferência dos leitores.
         O capacete com asas não deixa dúvidas quanto à fonte de inspiração de Fox. Já no texto de introdução da primeira história, ele explicava que Flash era a “reencarnação do alado Mercúrio”, remetendo ao famoso deus da mitologia greco-romana, protetor dos mensageiros, comerciantes e ladrões. Contudo, Fox acertadamente inferiu que uma origem mitológica para seu personagem estava fora da moda nos idos dos anos 40, e decidiu conceder-lhe uma gênese mais verossímil (pelo menos para a época).
         Foi assim que o estudante de faculdade Jay Garrick adquiriu seus poderes depois de inalar o vapor de água pesada, uma substância que realmente existe e durante muito tempo foi empregada na produção de material radioativo. O jovem usou a nova habilidade para impressionar a namorada, Joan, e se tornar um astro de futebol americano. O artista original de Flash, Harry Lampert, tinha um estilo um tanto infantil e tosco e foi substituído já no número 3 da revista pelo mais competente Everett Hibbard.
         Porém, o estilo algo cartunesco jamais foi inteiramente extirpado e como conseqüência as suas aventuras tinham um forte elemento humorístico, ausente nos outros personagens do gênero. Essa característica ficou ainda mais acentuada quando o herói ganhou três parceiros atrapalhados, inspirados nos Três Patetas: Winky, Blinky e Noddy. Para a sorte dos fãs e da posteridade, eles foram eliminados ao fim das primeiras 12 edições, quando Carmine Infantino e Lee Elias assumiram as histórias, dando-lhes um ar mais sério.
         Essa primeira versão do Flash perdurou até sucumbir ao macartismo, a era da caça às bruxas comunistas instituída pelo senador americano Joseph McCarthy e sua entourage no final da década de 40, juntamente com muitos dos outros heróis de sua geração. Seu renascimento se deu em 1956, por obra e graça do editor Julius Schwartz, da DC Comics. Inicialmente relutante em resgatar o personagem (“Eu nem mesmo gostava de seu uniforme!”, declarou ele anos depois), Schwartz só concordou em fazê-lo se tivesse plenos poderes para modificá-lo ao seu bel-prazer.
         O novo Flash foi inteiramente repaginado. Ganhou outro alter ego, o agente de polícia Barry Allen, um uniforme diferente que o deixava ainda mais dinâmico e uma nova origem. Agora ele passava a ganhar os poderes velocistas depois que um raio atingia o seu laboratório, banhando o personagem com produtos químicos e uma descarga elétrica que provocava uma reação metabólica em seu organismo. O Flash reformulado apareceu pela primeira vez na revista Showcase #4, de setembro de 1956. O inesperado sucesso do personagem teve repercussões impensadas até mesmo para os seus criadores. Seu êxito resgatou os gibis de super-heróis do ostracismo e foi responsável pela revitalização de outros personagens da Era de Ouro que andavam em baixa, dando início a uma nova era nos quadrinhos, a chamada Era de Prata. O resto é história.


Texto originalmente publicado na revista Wizard 46.

0 comentários:

Postar um comentário

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Blogger Templates